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REVISTA GJ - O que será da economia do Brasil em 2019?

É difícil prever as possibilidades da economia antes da eleição, mas o fato é que o país precisa resgatar a confiança para que se recupere definitivamente da crise dos últimos anos

Pode soar exagerado ou futurologia desnecessária tentar analisar o que será da economia do Brasil em 2019 antes de uma das eleições menos previsíveis dos últimos anos. Pela primeira vez, nem mesmo os candidatos e as alianças estavam claramente delineadas a poucos meses do páreo. Mas há uma certeza: independentemente das convicções políticas do novo presidente do país, existe muito a ser feito em termos econômicos para que o país possa seguir na busca da fuga da crise.

O Boletim Focus, do Banco Central, prevê alguns números para 2019: crescimento de 2,5% para o Produto Interno Bruto (PIB); Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 4,1%; o dólar a R$ 3,60; e a Taxa básica de juros (Selic) a 8%. As previsões do Bradesco são semelhantes, apenas com uma mudança no IPCA: de 4,1% para 4,25%.

Um período de incertezas

Embora os dados apontem para uma retomada da economia, a eleição gera um período de incerteza, que interfere diretamente nos investimentos. “A falta de confiança no governo afeta a atividade produtiva e empresarial, gerando ausência, redução ou o não planejamento de investimentos. Mas só saberemos se a confiança será retomada se a solução de quem ganhar for aceitável”, diz o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Antoninho Caron, também coordenador do Conselho de Desenvolvimento, Economia e Finanças da instituição.

A necessidade de reajustes nas contas públicas para que o país siga em um período de retomada é algo que está sendo omitido pelos principais candidatos e interfere na economia. “Nenhum dos candidatos que apresentam chances concretas está explicitando as suas propostas econômicas. Estão esperando as eleições passarem para mostrar. Eles vão ter que sair do forno e dizer de forma mais clara o que vão fazer”, avalia Gilmar Mendes Lourenço, economista e professor de Economia da FAE.

Entre as medidas que devem ser discutidas, estão justamente a realização de reformas, como da previdência, fiscal, tributária, além de privatizações, pois seriam capazes de refletir nos principais indicadores econômicos do país. “Um dos principais desafios é a continuidade do processo de reforma que o país necessita, possibilitando a melhora do ambiente de negócios e contribuindo para a consolidação da recuperação da atividade econômica”, afirma o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe.

Segundo Caron, sem confiança, o câmbio sobe, o real se desvaloriza, e os investimento internacionais não são atraídos, assim como há uma fuga de capitais.

 

País precisa de uma reforma conjuntural

Nos últimos anos, a reforma econômica esteve na página dos principais jornais, mas a falta de credibilidade também atinge o setor político e judiciário. Entre abril de 2014 e março de 2017, o PIB brasileiro caiu 8,5%. Desde então, o processo de recuperação é ainda tímido, com crescimento de 1,3% entre abril de 2017 e março de 2018. Somente com um desempenho melhor é que outros indicadores, caso do desemprego, se modificarão de forma mais rápida.

“Para investir, o empresário tem de se sentir confiante sobre o desempenho futuro da economia. Uma reforma fiscal do estado que reduzisse seus déficits públicos sinalizaria que não haveria a possibilidade de aumento futuro de impostos para cobrir despesas governamentais”, ilustra o economista Evânio Felippe, da FIEP.

Em outras palavras, há necessidade de um novo projeto de futuro para o país. “Um pacto nacional por um projeto de país de longo prazo é uma necessidade, discutindo estabilidade jurídica, políticas econômicas, com garantia de inflação e de juros para investimentos mais longos”, afirma Antoninho Caron, da ACP.

Nesse projeto de desenvolvimento, é preciso ir além da economia, tratando de educação e de segurança. “Todos os países que se reconstruíram, mesmo os que saíram de regimes socialistas, fizeram maciço investimento em educação de longo prazo para que as pessoas se tornem agentes de transformação, com distribuição de renda, consumo e financiando o próprio mercado”, explica Caron.

De acordo com Mendes Lourenço, o Brasil não precisa investir mais em educação, mas gastar de forma mais inteligente estes recursos – como comparação, o país destina 6% do PIB para a educação, enquanto a Coréia do Sul disponibiliza 3,5%. “O crescimento econômico precisa ser continuado e sustentado, com bases sólidas. A educação, no longo prazo, resulta em aumento da produtividade do país”, avalia.

 

Estado brasileiro precisa desinchar

Um dos fatores que precisa ser revisto é o tamanho do estado brasileiro, inclusive com privatizações. Quanto mais servidores e mais atividades envolvidas, maior a necessidade de impostos para bancar todos os custos. Além disso, é preciso uma reavaliação de toda a atuação, incluindo de poderes que nem sempre são questionados, como o judiciário e o legislativo.

“Há necessidade de uma desoneração política, inclusive nos legislativos municipais a fim de reduzir o gasto. O custo do poder público está muito caro, o que puxa os impostos para cima e aumenta o custo de produção da base industrial”, explica Caron, da ACP.

“Os governos estão quebrados e precisam melhorar sua eficiência, além de reduzir de tamanho. É preciso repensar sua atuação: não faz mais sentido o estado ser produtor de insumos básicos, provedor exclusivo de infraestrutura”, analisa Gilmar Mendes Lourenço, da FAE.

 

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Projeções

Boletim Focus, do Banco Central, prevê números otimistas para a economia, mas a verdade é que a eleição deixa este cenário muito mais nebuloso.


Critério                                  Previsão para 2019

PIB                                                      2,5%

Taxa de Câmbio                          1 US$ a R$ 3,60

Taxa Selic                                            8%

Produção Industrial                             3,05%

Balança Comercial (US$ bilhões)         49,50

Dívida Líquida (% do PIB)                     58

 

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