SOLICITAÇÕES
| 41 3595-8300

DÉFICIT FISCAL DO GOVERNO CENTRAL NO 1º SEMESTRE É O MAIOR EM 21 ANOS

  • 27-7-17

 

BRASÍLIA - (atualizada às 16h05) O governo central – que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registrou déficit primário de R$ 19,798 bilhões em junho. Em junho de 2016, as contas do governo central haviam ficado negativas em R$ 9,744 bilhões.

 

Os déficits primários em junho e no semestre são os piores para esses períodos na série história, iniciada em 1997.

 

O rombo veio pior do que o estimado por 12 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, que calcularam em R$ 15,8 bilhões o déficit de junho.

 

Segundo números do Tesouro Nacional, divulgados nesta quarta-feira, o resultado de junho é reflexo de um déficit primário do Tesouro Nacional de R$ 6,930 bilhões, de um déficit do Banco Central de R$ 28 milhões e de um déficit da Previdência Social de R$ 12,840 bilhões.

 

Considerando apenas junho, a receita líquida total do governo central chegou a R$ 86,684 bilhões, o que representa uma alta real de 0,5% na comparação com a receita de R$ 83,752 bilhões em junho de 2016.

 

Do lado das despesas, houve um avanço de 10,5% acima da inflação em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado. Elas passaram de R$ 93,496 bilhões para R$ 106,482 bilhões no período analisado.

 

Primeiro semestre


De janeiro a junho, o déficit primário acumulado pelo governo central é de R$ 56,092 bilhões, montante 54% maior do que o resultado negativo de R$ 36,477 bilhões registrado no mesmo período de 2016.

 

A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou que o aprofundamento do déficit primário no primeiro semestre de 2017 é explicado “quase em sua totalidade pela antecipação do pagamento de precatórios”.

 

Segundo o Tesouro, se fosse desconsiderada a antecipação do pagamento de precatórios, o resultado fiscal no acumulado até junho seria de déficit de R$ 38 bilhões. Em junho, sem o pagamento da rubrica, o déficit seria de R$ 11,3 bilhões. Ela afirmou que, durante o segundo semestre, haverá pagamentos regulares de precatórios que giram em torno de R$ 1 bilhão por mês.

 

Nos primeiros seis meses do ano, a receita líquida total do governo central teve queda real de 2,7% ante o mesmo período do ano passado, somando R$ 548,187 bilhões. Entre janeiro e junho de 2016, a arrecadação foi de R$ 540,036 bilhões.

 

As despesas totais cresceram 0,5% acima da inflação no acumulado dos seis primeiros meses do ano. Entre janeiro e junho, elas ficaram em R$ 604,279 bilhões, contra R$ 576,513 bilhões no mesmo período de 2016.

 

Investimentos


Os investimentos do governo federal no primeiro semestre somaram R$ 16,927 bilhões, o que representa queda de 36,7% em relação aos R$ 26,755 bilhões apurados no mesmo período de 2016.

 

Somente com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), os pagamentos totalizaram R$ 10,337 bilhões, o que corresponde a uma queda real de 48,2%. Desse valor, os pagamentos do Minha Casa, Minha Vida somaram R$ 1,407 bilhão, uma redução real de 55,1%.

 

Doze meses


A meta de déficit primário do governo central para este ano é de R$ 139 bilhões. Nos 12 meses encerrados em junho, o déficit fiscal é de R$ 182,8 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, o que corresponde a 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

Ana Paula disse que, nos últimos 12 meses, descontando-se os pagamentos antecipados precatórios, há uma tendência de estabilização do déficit desde dezembro de 2016. A secretária destacou que a programação financeira deste ano é “apertada” e que o ano é de “restrições fiscais acentuadas”.

 

Ela afirmou ainda que a trajetória do déficit da previdência social, incluindo o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e Regime Próprio de Previdência Social (RPPS, dos funcionários públicos), tem se acentuado em 12 meses.

 

Considerando os dois regimes, o déficit acumulado em 12 meses soma R$ 256,5 bilhões. Segundo a secretária, a antecipação de precatórios levou a uma elevação de R$ 4,5 bilhões nos benefícios previdenciários de maio, impactando o acumulado em 12 meses.

 

No caso do Regime Geral, o déficit acumulado em 12 meses é de R$ 174 bilhões e deve chegar a R$ 185,8 bilhões. No caso do regime dos servidores públicos, o déficit estimado é de R$ 82,5 bilhões e deve encerrar o ano em R$ 85,2 bilhões.

 

Fonte: Valor Econômico

 

Ver mais

  • 16-08-2017
REFORMA TRIBUTÁRIA PREVÊ FIM DE 10 IMPOSTOS
  Prestes a ser concluída, a proposta de reforma tributária em discussão na Câmara dos Deputados prevê a extinção de 10 encargos em vigor no país. Em troca, seriam criados dois impostos. As possíveis mudanças — ainda em fase de definiç...
  • 15-08-2017
NOVA LEI DE ICMS PODE MANTER GUERRA DE INCENTIVOS
  Ninguém tem dúvidas de que a convalidação dos incentivos fiscais ilegais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), permitida pela Lei Complementar 160/2017, resolve a insegurança jurídica das empresas, desde que os Est...
  • 01-08-2017
COMPLIANCE, ESSE ANIMAL DESCONHECIDO
Os benefícios que um bom programa de compliance pode oferecer são muitos   Vivemos tempos conturbados, de muita instabilidade institucional. A cada manhã, sentimo-nos incapazes de saber como terminará o dia frente às constantes notícias que ...
  • 27-07-2017
DÉFICIT FISCAL DO GOVERNO CENTRAL NO 1º SEMESTRE É O MAIOR EM 21 ANOS
  BRASÍLIA - (atualizada às 16h05) O governo central – que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registrou déficit primário de R$ 19,798 bilhões em junho. Em junho de 2016, as contas do governo central haviam ficado...