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A tecnologia pode auxiliar a descobrir os hábitos do consumidor B2B e B2C

 

Análise de dados empresariais e machine learning podem ser boas ferramentas para identificar tendências de consumo e novas oportunidades de negócio


Quais tendências serão seguidas pelos consumidores ou empresas? Todo empresário gostaria de saber como se planejar com antecedência. E se, ao invés de se questionar, o empreendedor passasse a usar a tecnologia como uma aliada nesta estratégia? Tanto os dados públicos quanto os institucionais podem servir de fonte para descobertas, seja o público B2B (negócios entre empresas) ou B2C (negócios com o consumidor final).

No entanto, é preciso garimpar informações, a partir do investimento em tecnologias, como a análise de grandes volumes de dados (Big Data) e o machine learning. “As empresas têm muitos dados dentro de casa. Os varejistas, por exemplo, investiram em tecnologias. A questão é a respeito de como as empresas estão usando e como vão investir nessas áreas”, explica Marco Lima, diretor de atendimento da GFK, uma das principais empresas globais no levantamento de informações sobre os mercados e consumidores, visando fornecer insights e inteligência de mercado em mais de 100 países.

Junto às informações próprias, é possível coletar dados que estão disponíveis para todos. De acordo com a professora do curso de Marketing da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) Luísa Barwinski, fontes como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), associações e organizações de classe contam com dados que podem servir como referência. “Essas informações estão disponíveis em fontes públicas”, destaca.

Dessa forma, o empresário melhora a prospecção qualificada e as pesquisas de mercado. “É possível identificar potenciais clientes e novos nichos ainda não explorados, assim como mensurar o tamanho do mercado (quantidade e faturamento) e a participação dos produtos da companhia”, explica Otávio Fernandes do Amaral, diretor do Empresômetro, uma das referências nacionais em conhecimento das empresas do país e uma das fornecedoras de dados para a GFK.

 

Investimentos em tecnologia


Conforme uma análise da consultoria de mercado e tecnologia Frost & Sullivan, em 2016, o mercado de Big Data movimentou US$ 2,48 bilhões – sobretudo em ferramentas para tornar inteligíveis esse grande volume de informações. Para 2022, a estimativa é de chegar a US$ 7,41 bilhões, sob forte influência de Brasil e México. No país, as áreas de finanças, varejo e telecomunicações são as que mais investem, visando incrementar a experiência dos clientes.

De acordo com Marco Lima, empresas de grande e médio porte já estão mais avançadas na coleta de dados, mas poucas conseguem trabalhar a informação de forma consistente. “Há uma falta de cultura em relação a isso. Na área do varejo, especificamente, existe uma preocupação maior com a precificação, elasticidade dos preços e pouca análise”, opina o diretor da GFK.

Contudo, as empresas interessadas em avançar podem fazê-lo sem investimentos muito pesados e de forma gradativa. “Existem muitas opções em código aberto, que não demandam grande aplicação de recursos por se tratarem de softwares livres”, ensina Luísa Barwinski.

A partir das análises, somadas ao uso do machine learning e da expertise dos empresários, é possível perceber como a companhia está avançando em comparação à concorrência, assim como identificar, dentro de margens históricas, o tipo de consumo de seus clientes e o que pode ser uma tendência.

 

Os dados digitais simplificam as respostas


Praticamente tudo é rastreável no meio digital. É justamente a análise destes dados que pode beneficiar as empresas. “Pelo fato de quase tudo ser mensurável, a empresa pode se perder em métricas que desconhece ou não tem intimidade. Por isso, os KPIs [Key Performance Indicators, os índices mais importantes] são essenciais”, esclarece Luísa Barwinski, professora da PUC-PR.

Com essas informações, as companhias podem usar algoritmos e modelos estatísticos para fazer previsões. “Toda vez em que se encontrar ‘A’ ou ‘B’, o resultado será ‘C’. O grande questionamento é sobre os modelos que estão sendo usados e se os dados são consistentes para se obter um resultado”, afirma Marco Lima, da GFK.

Ressalta-se que os dados empresariais, por si só, não representam grande avanço para os insights. “Os dados precisam virar informação, que, se aplicada de forma prática, vira conhecimento. Isso, na rotina empresarial, torna-se uma inteligência própria”, explica Otávio Fernandes do Amaral, do Empresômetro, descrevendo o caminho ideal a ser seguido pelas companhias.

 

Pergunte antes de investir


Antes de o empresário sair investindo em Tecnologia da Informação ou na coleta de dados, é necessário saber quais são as dúvidas que gostariam de ser respondidas e quais dados estão disponíveis. “É a partir da formulação das perguntas que vamos atrás das soluções”, conta Lima.

Outro aspecto importante é pensar no futuro, imaginando qual será a evolução da tecnologia e das informações para, desde já, considerar dados pertinentes de mensuração. Para isso, há necessidade de um planejamento adequado. “A empresa precisa saber o que quer medir”, ressalta Luísa.

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